quarta-feira, 26 de maio de 2010

O PDT e o Movimento Sindical


Realizou-se no último dia 17, em Brasília, um Encontro Nacional de Sindicalistas do PDT, para manifestar apoio à candidata à presidência do presidente Lula e apresentar-lhe uma plataforma de reivindicações. A pré-candidata deu o bolo.
O convescote foi convocado pela executiva nacional, à revelia da direção do Movimento Sindical Nacional do Partido. Sindicalistas ligados à Força Sindical arregimentaram pessoas estranhas. Foi aprovado um documento que envergonha a qualquer sindicalista autêntico e aos trabalhistas verdadeiros. Após introdução lorotaria e bajulatória a Lula, desfiam suas reivindicações. Um cipoal que parece ter sido redigido pela ala esquerda(?) do PP ou do DEM. O documento intitulado “Propostas dos Trabalhadores Para o Programa de Governo da Candidata Dilma Roussef”, é  o retrato sem retoque do que se passa no movimento sindical.
Muitas reivindicações listadas, falaciosas, e que não foram cobradas nos oito anos do governo Lula, mesmo com o MTE sendo ocupado pelo PDT, não tendo sido acrescentado nenhum direito para os trabalhadores. 
Sequer foi anulada a criminosa denúncia da Convenção 158 da OIT, em 1997. Caminho rápido e lógico para restabelecer a vigência do precioso instrumento para a classe trabalhadora É a revogação do Decreto de FHC que denunciou a Convenção. O governo Lula, preferiu uma aparência enganadora e enviou mensagem ao Congresso Nacional, retomando o percurso iniciado em 1992 e concluído com sucesso com a aprovação do Decreto Legislativo nº 68/1992, que não foi revogado. Bastava revogar a denúncia de FHC, isto é, o Decreto do Executivo nº 2.100/96. 
Por que, em todos esses anos, não exigiram do Ministro do Trabalho, em vez de apresentar um vago pleito a uma pré-candidata? 
Há outras impropriedades na pauta da Força Sindical, isto é, do PDT, como a defesa dos interesses dos donos dos hospitais privados (item 22). No item 28, escrevem: “estimular a qualidade do ensino privado... Os CIEPS, sequer foram citados. Esquecem reforma agrária, mas defendem o agronegócio. Sobre economia, a medíocre redação deve ter sido feita pelo contínuo do CMN. Sobre previdência, apenas uma frase sem nenhuma significação; não se fala em administração colegiada, independência da Previdência, no Fator Previdenciário etc. 
Para entendermos a política e o caráter desse pessoal, basta atentarmos para as comemorações do 1º de Maio. Para os trabalhistas e socialistas, o 1º de Maio é um dia de luta. Uma luta cuja meta não se resume a conquistas econômicas que atenuem a exploração do trabalho pelo capital, mas que apontem para a sua superação rumo a uma sociedade socialista. O 1º de Maio, para os socialistas, tem caráter de defesa de políticas que levem a classe trabalhadora à emancipação. Deve ser independente dos patrões e do governo. 
Neste ano, as centrais sindicais conseguiram polpuda doação de bancos e empresas privadas e estatais. A Petrobrás repassou R$ 500 mil, sendo que a CUT e a Força (unidas à CGTB), levaram R$ 200 mil cada uma. Já o BNDES deu R$ 150 mil à CUT. A CEF repassou R$ 300 mil à CUT e R$ 200 mil à Força-CGTB. Por sua vez, a CTB (central do PCdoB), junto com a UGT e a NCST, receberam R$ 100 mil da Petrobrás. Várias empresas privadas como Nestlé etc., contribuíram. 
O objetivo dos três atos foi montar palanques para o governo e sua candidata. É total a subserviência das grandes centrais sindicais aos patrões e ao governo. Tudo que Brizola e Jango sempre combateram. 
O sindicalismo classista e combativo dos anos 1950/1964 e décadas de 1970/80, está esquecido. Hoje, temos uma situação extremamente defensiva e oportunista. Renderam-se às políticas neoliberais e à cooptação. A CUT trocou o sindicalismo classista e combativo por um sindicalismo rotulado de “propositivo e cidadão”, de caráter abertamente conciliador com o capital e com o governo. 
O PDT foi invadido e dominado por integrantes da Força Sindical, central que foi financiada pelo governo Collor e por grandes empresas e sempre pregou o chamado “sindicalismo de resultados”, economicista e despolitizante, além de ter aprovado as reformas neoliberais do governo FHC, inclusive a trabalhista.Tudo isso foi exacerbado pela política de cooptação do atual governo. Abandonaram a luta calcada ma mobilização das bases e apenas desenvolvem ações políticas nos gabinetes em Brasília, por migalhas. Ora, se fazem do primeiro de maio apenas um dia de festa despolitizante, desviando do verdadeiro caráter de luta e politização que a data representa; se não passam de megaeventos com “popstars” muito bem pagos e com sorteio de carros e imóveis; se arranjam patrocínio de empresas que exploram os trabalhadores;O QUE SE PODE ESPERAR DESSA GENTE? 
Mas, como dizia Brizola, o processo social se incumbe de corrigir as distorções e há de chegar o dia em que começará a reorganização do movimento sindical. Como, também, o dia em que o PDT deixará de ser um balcão de negócios e voltará ao seu leito, isto é, aos princípios trabalhistas e socialistas trilhados por Brizola, Darcy, Doutel, Lysâneas, Edmundo Moniz, Francisco Julião, Neiva Moreira e outros.

Em maio de 2010
RONALD SANTOS BARATA
Fundador e primeiro presidente do Movimento Sindical do PDT. Ex componente de:  Conselho Político e direção nacional do PDT de Brizola - Congresso nacional de fundação da CUT e membro de sua primeira direção nacional - ex vice-presidente, secretário geral, secretário de formação sindical, secretario de comunicação e tesoureiro da CUT-RJ. - Congresso de criação, em 7/1962, do CGT-Comando Geral dos Trabalhadores - ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.

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